ID Artist Fera!

Hairstylist fala sobre sua trajetória na brilhante carreira

 

 Edição: Marisa De Lucia

 

Nascido em 1980, o paulista Michael Ribeiro domina todas as técnicas, não só para cabelos femininos como também masculinos e vem realizando workshops de sucesso em todo o Brasil.

 

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Profissional nomeado como ID Artist da L´Oréal Professionnel, no Brasil, o talento deste conceituado hairstylist e maquiador foi descoberto aos 16 anos de idade, quando por brincadeira começou a cortar os cabelos de amigos.

Em 1996, incentivado pela mãe e treinado por sua madrinha, passou a realizar looks femininos. Após fazer vários cursos de corte e maquiagem em academias nacionais, Michael Ribeiro partiu para sua formação internacional.

Amante da beleza, empenhou-se nos estudos do visagismo, buscando sempre a melhor forma de valorizar e combinar estilos de diversas clientes, seguindo tendências inovadoras, sempre prezando sua atualização profissional.

Hoje, ele é referência no mercado por sua criatividade, competência e carisma. Já conquistou vários prêmios, com destaque para “Troféu Destaque Brasil” como cabeleireiro e “Troféu Mãos de Ouro” em Maquiagem.

Casado com Renata Martins, com quem tem dois filhos, Michael deixa claro nesta entrevista que o sucesso não chega por acaso. Pelo menos, para ele, tem sido resultado do cultivo constante de um bom coração, respeito pelo trabalho, amor pela família, coragem, dedicação e muito esforço. Vale conferir.

 

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O que significa este trabalho e investimento da L’Oréal no Brasil?

Michael Ribeiro – Trata-se de um programa que foi inicialmente criado a partir da necessidade de descobrir profissionais para melhor promover os seus produtos. O grupo de ID Artists é direcionado para corte de cabelos. Vamos representar a L’Oréal em todo o Brasil. Vamos falar de cor, de tratamento, de tudo, mas especificamente de corte.

 

E o que você tem trazido de novo para o mercado brasileiro?

Michael Ribeiro – Trago uma técnica nova, uma metodologia criada por um profissional chamado Bertram K, um grande hairstylist na Europa. A L’Oréal fez uma parceria com ele, comprou os seus livros para repassar essas técnicas. Vamos ter, por exemplo, um corte de cabelo com seis, sete tesouradas no máximo, e que terá um caimento perfeito, sem estourar pontas… Na empresa, os embaixadores ocupam a posição mais alta dentro da parte técnica como instrutores. E, em corte, os ID Artists é que vão estar nesse topo.

 

Você já está aplicando essas técnicas em corte? Como tem sido a reação das clientes?

Michael Ribeiro – Sim, já estou aplicando e o resultado é fantástico. Cortar o cabelo seco é uma nova forma, não desfiá-lo também é outra, para que se alcance o caimento  adequado, como as clientes querem e precisam, com leveza e movimento.

 

E como a L’Oréal chegou a esse método?

Michael Ribeiro – O europeu Bertram K, criador da técnica, foi instrutor de uma grande academia internacional, que tem, inclusive,  sede no Brasil. Ele chegou a essa nova metodologia baseando-se em estudos de ângulos, de formas, do formato do rosto, cabeça. Isso para todos os comprimentos: curto,  médio e longo.

 

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Como funciona a moda para cortes de cabelo? O que determina essas mudanças?

Michael Ribeiro – Na verdade, a L’Oréal é a maior empresa do mundo no ramo de tratamento e cosmético, com um dos maiores centros de treinamento, onde atualiza o profissional e toda a equipe de um salão. Isso dentro da própria academia. Como ela manda o instrutor, um especialista para treinar profissionais no próprio salão, a empresa também investe na parte de styling, que são os finalizadores, as pomadas, que ainda são pouco utilizados. Hoje, com programas direcionados, a L’Oréal vem passando sua experiência  em cortes para que essa linha de produtos consiga também ser mais evidenciada.

 

Quando as clientes pedem cortes específicos, que orientação você dá como profissional experiente que é?

Michael Ribeiro – Quando elas chegam e dizem “Michael, eu quero esse corte”, eu faço, mas preciso ensiná-las a lidar depois com esse novo cabelo, oferecendo todas referências necessárias,  os produtos adequados para que ela possa conservá-lo.

 

A tendência é buscar alternativas para que o cabelo não fique excelente somente no salão. É isso?

Michael Ribeiro – Exatamente. Sair do salão com cabelo bonito e, depois, você nunca mais consegue o mesmo efeito, não cabe mais na vida prática de hoje. A ideia da L’Oréal é justamente casar um bom tratamento, com uma boa cor, um bom corte e uma boa finalização. Não adianta ter um bom corte, um cabelo na cor atual, se o caimento estiver ruim, com pontas e sem peso.  Com os cortes adequados, o profissional pode indicar os finalizadores, orientando-as, uma proposta que vai ajudá-las a ter um cabelo mais contemporâneo, sem muita regra, e que vai ficar bonito para o dia a dia. Essa é a grande tendência. Quanto mais natural, melhor. Mas tem que se um natural bacana, com cara de cabelo tratado. Estamos lançando os novos looks da L’Oréal, mais street, cabelos com mais naturalidade, explorando a ondulação natural  e o volume do cabelo brasileiro. Os produtos vêm auxiliar para dar esses efeitos nos cabelos, para que tenham  cara de um cabelo desarrumado, mas arrumado. Os marrons frios e os acobreados, como lançamentos, também são uma tendência, entrando no Brasil com grande força, aos quais as mulheres estão se adaptando muito bem.

 

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Com a nova realidade feminina, você percebe alguma mudança na frequência dos salões de beleza?

Michael Ribeiro – Sim. A mulher hoje quer fazer um cabelo para que no dia a dia ela possa se dar bem. Primeiro pela falta de tempo nas grandes metrópoles. Não dá para ir mais com tanta frequência ao salão. Outra questão é a busca pelo seu bem-estar. A mulher quer o seu espaço no mundo, precisa estar bonita no trabalho, dentro de casa, para seu companheiro, para sua autoestima estar em alta, pela exigência do mercado e, para isso, ela precisa ganhar tempo.

Ou seja, o tempo que ela gasta no salão tem que ser muito bem aproveitado. Os resultados têm que ser compensadores, durar por mais dias, e não só para aquele momento em que ela sai do salão com os cabelos alinhados. Hoje há uma necessidade, por exemplo, de se maquiar não só para grandes eventos, mas para eventos menores. É preciso que ela esteja com maquiagem e com escova nos cabelos com mais frequência. É uma questão de ter sua escolha valorizada.

 

Há tantos produtos diferenciados, eles estão auxiliando as mulheres nesse sentido?

Michael Ribeiro – Hoje, por exemplo, há o miracurl que permite ter um cabelo superproduzido em casa mesmo. Por outro lado, criou-se uma maior necessidade de se cortar o cabelo, porque como são usadas mais ferramentas, as pontas ficam mais sensibilizadas. A mulher sabe da necessidade que tem de um bom corte e de tratar esse cabelo. Para que ele tenha realmente vivacidade, beleza, ela quer  que ele seja prático para o dia a dia. Isso acaba imprimindo um outro ritmo ao salão. Ela vem fazer a cor, depois vem cortar, em outra fazer luzes, mas sempre com certa pausa para não danificar e também para manter-se em ordem. Hoje o final de semana é importante, assim como a reunião, o almoço executivo, estar bonita para o marido, fazer as pazes com o namorado. Tudo é importante para se estar bem e tudo pode ser um grande evento.

 

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Como as empresas de cosméticos entram no dia a dia dessa nova mulher?

Michael Ribeiro – Entram com a pesquisa de novos produtos, procurando em parceria os melhores profissionais dentro do mercado brasileiro e internacional para que se estude não somente a qualidade dos produtos comercializados, mas as tendências, o que gira no mundo em termos de beleza, a necessidade da mulher em cada cidade, em cada região. Atualmente, há tantos produtos que a mulher precisa saber utilizá-los. E a L’Oréal está aí para auxiliar não só os profissionais, mas também essa mulher, com ferramentas adequadas  na parte tecnológica, nos meios de comunicação, sites e blogs que ainda serão lançados, mostrando como ela pode facilitar sua vida e, ao mesmo tempo, conseguir ter uma maior parceria com o profissional de beleza. A L’Oréal trabalha, assim, com os dois lados, não somente com o cabeleireiro, mas também com as clientes desses profissionais.

 

Como foi a escolha dos profissionais para esse  novo projeto da L’Oréal? Como você foi selecionado?

Michael Ribeiro – Somamos 13 IDs, selecionados através de auditorias em todo Brasil. Alguns coordenadores e instrutores da L’Oréal foram aos salões e fizeram algumas indicações. Em outros, ofereceram vagas para um curso de seis meses, o Master Class, onde foram analisados os profissionais. No início eu estava apenas encaminhando os meus colegas, profissionais da equipe, por necessidade normal de conteúdo técnico. Eu mesmo não estava indo por absoluta falta de tempo. Quiseram saber por que eu não estava indo, já que era coordenador da equipe. Já havia feito quase todos os cursos, mas fui convidado também a participar. Foram quatro turmas de 120 pessoas. Dessas turmas, selecionaram 20 profissionais que se somaram aos componentes das parcerias que a L’Oréal estabelece – mais de 500 profissionais. Desses, ficaram 20, alguns do interior de São Paulo e outros da capital. Dos 20, ficaram quatro. Após auditoria, finalmente, só três. Dois profissionais de São Paulo e um do Rio de Janeiro.

 

O que vai mudou na sua carreira? O que o Michael faz agora?

Michael Ribeiro – Sou um ID Artist, vou represento a L’Oréal nessa nova fase, com relação a cortes, mas também vou falar de cor, de tratamento, de tendências, lançar coleções. Tudo isso em parceria com equipes de produção, fotógrafos. A própria L’Oréal irá me ceder looks elaborados por grandes estilistas. O meu coordenador do Brasil na área de educação vai me trazer esses looks e participar desse backstage para me auxiliar. Porque isso será importante para todos. Poderei usar essas produções para o meu blog, no facebook e instagram, enviá-las para algumas revistas de cabelo para edições mensais. A L’Oréal também tem interesse em usar esse material em sua mídia interna, blog,  site etc.

Ela também tem uma hashtag  #aquinosalao,  que é bem bacana para divulgar os trabalhos para os cabeleireiros. Toda cliente hoje quer sair do salão e fazer uma foto com o profissional. Ela pode marcar esse profissional nas redes sociais e na hashtag do salão. Sendo uma imagem muito bacana, tendo maior repercussão, essa foto pode ir para o hall da fama,  que é um blog da L’Oréal, e ter proporcionar um destaque muito grande, tanto cabeleireiro como a cliente.

 

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Para terminar. Como você concilia a vida familiar com tanto trabalho?

Michael Ribeiro – Quando comecei, tinha um salão num bairro simples, que era praticamente só barbearia. Minha esposa acompanhou todo esse crescimento, segurou todas as barras, mudanças, viagens profissionais. Passamos por várias dificuldades e ela foi quem sempre me apoiou. Hoje posso dizer que tenho um êxito na minha profissão graças a ela por ter se ausentado do mercado, para ser mãe, esposa, mas sempre à frente guiando o meu caminho e direcionando os meus passos. Tenho uma parceira que faz muito parte dessa história. Minha madrinha dizia que eu devia saber tudo. Sou um dos poucos profissionais no mercado que fazem maquiagem, que corta, faz a cor, faz um design de sobrancelha e tento fazer o meu melhor, em todas as técnicas, porque sempre ouvi dos meus colegas de mercado que era preciso se especializar e que profissional que faz tudo não sabe fazer nada bem. Como sou ariano, detalhista, perfeccionista, não aceito isso. Quero sempre fazer tudo e muito bem. Por isso, passo o ano inteiro me reciclando fazendo cursos de tudo para que tudo seja sempre muito bem feito.



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