Escalada de Sucesso

Um profissional que a cada dia conquista ainda mais os que o cercam

 

Por Marisa De Lucia

 

Com uma alegria contagiante, o beauty designer Sergio G., 36, conquista cada vez mais amigos e clientes, hoje responsáveis por parte de seu sucesso. A outra parte? Perseverança, dedicação e muito empenho para fazer de cada cliente uma pessoa especial.

 

Nesta entrevista exclusiva, Sergio G. fala de sua trajetória na carreira e de como tudo começou, algo que, com certeza, muitos ainda não sabem.

 

Instrutor e idealizador de um sistema educacional chamado Módulo Intensivo para Cabeleireiros “MIC”, que também está disponível em DVD, Sergio G. realiza caracterizações para novelas, filmes e peças teatrais e assina produções dos cabelos para desfiles como São Paulo Fashion Week (SPFW).

 

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Sergio G. é o idealizador do Projeto Touch For Life, que consiste em várias ações, entre elas, registrar em uma tela toques (touchs) de celebridades e depois colocar a tela à leilão. A verba arrecadada será revertida para instituições de combate ao câncer.

Depois da mulher mais velha do mundo, Dona Áurea de Souza Silva, 115, ter estreado logo no início deste ano, no dia 1º de janeiro, o Projeto Touch For Life, outros grandes nomes já deixaram seu touch e sua assinatura na tela. Acompanhe a entrevista:

 

Marisa De Lucia – Quando e como decidiu seguir a profissão de cabeleireiro. Tem alguém na família? Alguém o inspirou ou incentivou?

Sergio G. – Trabalhei como office-boy aos 14 anos de idade, depois como ajudante na padaria de familiares, localizada nos Jardins, até entregava pães de madrugada, mas não gostava do ambiente nem do negócio. Eu até tinha meu tio-padrinho Carlos Gomes que era barbeiro, mas nunca havia pensado em entrar para este ramo.

Quando estava com 15 para 16 anos, uma amiga me incentivou a fazer um curso para cabeleireiros e, de repente, me vi cercado por pessoas que estavam se envolvendo na área da beleza. Daí minha avó Florinda e meu pai Adail Gomes citaram meu tio-padrinho e um dia, saindo da padaria, me inscrevi num curso para ver se gostava e com três meses de curso não queria mais voltar para a padaria.

 

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MDL – Qual foi teu primeiro trabalho e por onde passou até chegar ao Studio W?

Sergio G. – Aos 16 anos de idade, fui trabalhar num salão popular, de bairro, depois de pouco mais de um ano saí para ser assistente no Soho da Alameda Campinas e ali fiquei quatro anos, até completar 20. Saí para trabalhar na rede Jean Louis David até os 22 anos, de lá fui para o Jacques Janine do Shopping Eldorado e aos 25 fui para o Marco Antonio de Biaggi, onde fiquei dois anos. E aos 26 anos, vim para o Studio W Iguatemi onde atuei por dez anos.

 

MDL – Fez cursos? Quais?

Sergio G. – Fiz todos os cursos que hoje existem no mercado e ainda faço alguns como L’Oreal, Wella, Vidal Sassoon e Tony Guy, entre outros.

 

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MDL – Como se especializa atualmente?

Sergio G. – Até hoje me especializo em alguns cursos, workshops, cursos livres. Sou também instrutor e idealizador de um sistema educacional chamado Módulo Intensivo para Cabeleireiros “MIC”, que também está disponível em DVD.

 

MDL – Além do trabalho no salão, você é muito requisitado para trabalhos na TV, editoriais de revistas, além de ministrar cursos pelo Brasil afora. Como concilia tudo isso? Sobra tempo para o lazer com a família?

Sergio G. – Não sou de baladas, gosto de uma boa música, um vinho, viagem com a família, mas meu maior hobby é a música. Toco clarinete, comecei a estudar música aos oito anos de idade, componho músicas, mas isso é uma particularidade, não levo isso como uma profissão.

 

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MDL – Passaram muitos famosos por suas mãos. Qual a sensação de atender este público?

Sergio G. – Já atendi e atendo famosos, políticos, socialites e todos são iguais para mim, todos são clientes. Não importa quem você vai atender, se é x, y ou z. Eu presto serviços. Às vezes tenho o privilégio de ter pessoas na minha cadeira, que são anônimas e que com o tempo eu descubro que elas são muito mais interessantes que alguns famosos, com histórias de vida incríveis. Muitos artistas são superbacanas, mas todos são iguais, pois cada um é bacana na sua proporção. Minha profissão me possibilita enxergar as pessoas além do que está por fora. Minha inspiração são as próprias pessoas.

 

MDL – O que mais te atrai nesta profissão?

Sergio G. – Vou citar três coisas que agradam. Satisfação de fazer algo bonito como uma obra de arte; o relacionamento com as pessoas que nenhum outro trabalho me possibilitaria e ganhar meu dinheiro, porque ninguém vive de brisa.

 

MDL – Tem algo que te desagrada?

Sergio G. – O que me desgasta é a arrogância de certas pessoas acharem que são melhores que as outra, ouvi um samba hoje cantado pela Teresa Cristina, que fala que o orgulho coloca a pessoa no mais alto patamar, mas tira a escada. “Todo mundo é igual quando a vida termina, com terra por cima e na horizontal”, diz a letra.

 

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MDL – Você deve ter vivido situações incríveis, ainda mais nesta área onde tudo é possível acontecer. Tem algo que ficou marcado para nos contar?

Sergio G. – Tenho uma manicure que trabalha comigo há 15 anos, a De Lourdes. Um dia dei um presente para ela, e como ela é nordestina comprei uma garrafa de catuaba selvagem. Daí o marido dela, o Alemão, achou que eu estava querendo aliciar a mulher dele e com ciúme perguntou: “quem é que te deu essa catuaba?”. Ela disse: “É uma bichona lá do salão”. O engraçado é que sempre quando encontrava com ele e comentava dos meus filhos, ele me olhava com uma cara desconfiada. E De Lourdes até hoje comenta que quando o Alemão chega em casa ele diz: “aquele seu amigo não tem vergonha na cara. É bichona e vem falar de filho para mim”. O mais engraçado é que há quinze anos ele fala isso.

 

MDL – Muitos cabeleireiros hoje conceituados já foram seus assistentes. Isso é bastante gratificante, não?

Sergio G. – A vida é assim. O que nós temos e somos é para a vida e para o próximo. O egoísta está sempre sozinho. Se existe algo bom que podemos fazer para alguém, isso é quando produzimos admiração nas pessoas. Tenho prazer e satisfação de ter dado oportunidade para pessoas como Nanda G., Katia Duarte e Fernando Massa, entre outros, e que eles estejam desenvolvendo seus trabalhos e se sentirem agradecidos por terem sido meus assistentes.

 

MDL – Que conselho você dá para quem está começando nesta profissão?

Sergio G. – Você tem que fazer o que te dá satisfação. Não faça pensando que vai ganhar dinheiro. Tem que gostar de ver o resultado, ficar feliz em fazer algo.

 

MDL – Todos que convivem com você sentem esta tua alegria contagiante. Qual o segredo da felicidade?

Sergio G. – Feliz é a pessoa que descobre o que a faz feliz. Muitas pessoas vão atrás de coisas erradas e algumas vivem pela felicidade do outro. Felicidade é compartilhar sua vida com amigos, com família e pessoas mais próximas. Tem gente que se abstém de ser feliz pelo próximo, mas isso não é felicidade. A felicidade da gente é que contagia as pessoas.



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